A pergunta chega quase sempre no mesmo formato: “vi que a tinta sai mais barata, vale trocar as laser por tanque de tinta?”. A resposta honesta é que depende do que cada área imprime — e que, numa empresa com mais de um setor, a escolha raramente é uma só.
Laser e tanque de tinta não disputam o mesmo trabalho. Uma imprime rápido, em volume, em preto, e o papel sai seco da bandeja. A outra imprime colorido barato, em volume moderado, e é imbatível quando a cor faz parte do que o cliente recebe. Escolher pela manchete do custo por página, sem olhar o que sai da bandeja, é o caminho mais curto para um equipamento caro parado num canto.
O que muda de uma tecnologia para a outra
| Critério | Laser | Tanque de tinta |
|---|---|---|
| Como marca o papel | Toner em pó, fundido no papel pelo calor | Tinta líquida depositada pelo cabeçote |
| Onde se destaca | Volume alto em preto, texto e frente e verso rápido | Colorido de custo baixo, em volume moderado |
| Velocidade em texto | Alta e constante ao longo do trabalho | Menor, e cai mais no frente e verso |
| Papel logo depois de imprimir | Sai seco, pode ser grampeado na hora | Precisa de alguns segundos antes do manuseio |
| Convívio com marca-texto e umidade | Boa resistência | Depende da tinta e do papel usados |
| Custo por página em preto | Baixo nos modelos feitos para volume | Baixo |
| Custo por página em cor | Mais alto | É o ponto forte da tecnologia |
| Ficar dias sem imprimir | Suporta bem a ociosidade | A tinta pode ressecar no cabeçote |
| Suprimento | Toner e, em algumas linhas, cilindro separado | Frascos de tinta |
| Manutenção típica | Fusor, cilindro e roletes | Limpeza e desobstrução do cabeçote |
Onde cada uma rende mais dentro da empresa
O inventário costuma mostrar que a mesma empresa precisa das duas. O critério não é a preferência da TI: é o documento que cada área entrega.
- Administrativo, fiscal e financeiro: volume alto, preto, frente e verso o dia inteiro. É território de laser mono, de preferência com rede e frente e verso automático.
- Jurídico, contratos e arquivo: documento que vai ser assinado, grampeado e guardado por anos. Laser, pela secagem imediata e pela resistência.
- Comercial e marketing: proposta, catálogo e material de balcão, em cor, em tiragem pequena. É onde o tanque de tinta paga a diferença.
- Recepção e atendimento: volume baixo e imprevisível, com cor eventual. Decide o espaço disponível e quem vai trocar o suprimento.
- Expedição e estoque: nenhuma das duas. Etiqueta de volume e de lote é trabalho de impressora térmica.
- Engenharia e projetos: também não. Prancha em A1 e A0 é trabalho de plotter.
Os erros mais comuns na escolha
Comparar o custo por página sem incluir tudo
O número que aparece no anúncio considera só o suprimento. O custo real soma papel, energia, peças de desgaste, manutenção e o tempo da pessoa que trocou o cartucho. Duas tecnologias podem empatar no suprimento e separar bastante no resto.
Colocar tanque de tinta onde o volume é alto
Cada modelo tem um ciclo mensal recomendado, e ele existe para ser respeitado. Um equipamento de volume moderado recebendo o trabalho de um setor inteiro imprime mais devagar, exige intervenção com mais frequência e chega ao fim da vida útil antes da hora.
Comprar laser colorida para imprimir cor de vez em quando
Laser colorida é feita para volume de cor. Quando a cor aparece poucas vezes por mês, o equipamento fica caro no suprimento, ocupa espaço e não devolve o investimento.
Deixar a tanque de tinta semanas sem uso
É o defeito mais comum em equipamento de setor sazonal. Alguns ciclos de limpeza resolvem, outros não, e o chamado técnico vem por falta de uso, não por excesso.
A conta que decide
A comparação honesta se faz com o número da sua empresa, não com o do catálogo. Para cada candidato: custo por página = (suprimento no período + papel + manutenção e peças) ÷ páginas impressas no período. Rode a conta separando preto e cor, porque é aí que as duas tecnologias se distanciam. O volume vem do inventário do parque; os preços, dos seus fornecedores.
Checklist antes de decidir
- Levante o volume mensal de cada área, separando preto e cor.
- Liste o que cada área entrega: documento interno, documento assinado, material que vai para o cliente.
- Confira o ciclo mensal recomendado dos modelos candidatos e descarte os que ficam abaixo do volume da área.
- Verifique se o equipamento precisa de rede, frente e verso automático, ADF ou A3 — e não pague pelo que não vai usar.
- Calcule o custo por página de cada candidato com os seus preços, incluindo papel e manutenção.
- Considere a ociosidade: setor que passa semanas sem imprimir pede laser.
- Separe o que é trabalho de térmica e de plotter e não tente resolver com multifuncional.
- Decida por área, não pela empresa inteira — parque misto é o normal, não a exceção.
Para chegar ao volume de cada área, comece pelo inventário do parque de impressão. A conta do custo está em como calcular o custo por página, e o número que reprova um modelo subdimensionado, em ciclo mensal recomendado.
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